A cirurgia de catarata remove o cristalino opaco e implanta uma lente intraocular. Técnica, anestesia, duração e recuperação variam conforme o olho e o planejamento cirúrgico. Abaixo, 16 perguntas frequentes em linguagem direta.

1. O que é a cirurgia de catarata?

A cirurgia de catarata remove o cristalino opaco e implanta uma lente intraocular. A lente costuma permanecer no olho, mas sua posição, a cápsula ao redor e outras estruturas oculares continuam sendo acompanhadas conforme a necessidade.

A decisão de operar não é automática. Ela considera o impacto da catarata na rotina, os achados do exame, as condições do olho e a expectativa de cada pessoa.

2. A cirurgia de catarata dói?

A anestesia é definida conforme o procedimento e as condições da pessoa. Pode ser tópica, local ou associada à sedação. A experiência varia: algumas pessoas relatam pressão ou desconforto, e a equipe acompanha isso durante a cirurgia.

Depois da cirurgia, desconforto, sensibilidade à luz e lacrimejamento podem ocorrer. Dor forte ou em piora, vermelhidão crescente ou piora súbita da visão pedem contato imediato com a equipe ou avaliação oftalmológica de urgência.

3. Quanto tempo dura a cirurgia?

A duração varia conforme a técnica, a complexidade do caso e a anestesia. A equipe informa o horário de chegada, o período de observação e a previsão de alta; muitas cirurgias são ambulatoriais, mas o planejamento é individual.

4. Qual é o tempo de recuperação?

Não existe um único prazo que sirva para todos. Algumas pessoas percebem melhora visual cedo, mas a estabilização e o retorno às atividades dependem do olho operado, do outro olho, de outras condições oculares e de como foi a cirurgia. Na prática, vale confirmar atividade por atividade no pós-operatório, em vez de usar um calendário genérico como autorização.

5. A catarata pode voltar depois da cirurgia?

A catarata removida não volta. Entretanto, a cápsula que sustenta a lente intraocular pode ficar opaca meses ou anos depois, causando novo embaçamento visual. Outras causas de piora da visão também precisam ser excluídas no exame.

Quando a opacidade da cápsula é confirmada e afeta a visão, o oftalmologista pode indicar capsulotomia com laser. A indicação, os benefícios e os riscos são avaliados individualmente.

6. Vou precisar de óculos depois da cirurgia?

A necessidade de óculos depende do olho, do alvo refrativo combinado e da lente intraocular indicada. As categorias mais discutidas incluem:

  • Lente monofocal: prioriza uma distância, frequentemente a de longe; óculos podem continuar necessários para outras distâncias.
  • Lente monofocal otimizada: nos resultados médios dos estudos, pode ampliar a visão intermediária sem perda clara da visão de longe. Isso não garante independência de óculos, e modelos diferentes podem ter desempenhos diferentes.
  • Lente tórica: é uma variante que também corrige astigmatismo na mesma cirurgia. Pode ser combinada com qualquer um dos outros tipos de lente quando há astigmatismo a corrigir.
  • Lente de foco estendido: busca ampliar a faixa de visão, com desempenho que varia entre modelos e olhos.
  • Lente trifocal: distribui foco para diferentes distâncias e pode envolver halos, redução de contraste ou necessidade residual de óculos.

Não existe lente universalmente melhor. A escolha depende do seu olho, da sua rotina e do que você valoriza mais — e é conversada caso a caso na consulta. Tem um artigo só sobre isso aqui no blog.

7. Posso operar os dois olhos no mesmo dia?

A cirurgia bilateral no mesmo dia existe, mas não é indicada de forma automática. A decisão entre operar no mesmo dia ou em datas separadas considera risco, logística, saúde ocular e protocolo do serviço.

  • Em cirurgias separadas, a evolução do primeiro olho pode orientar o planejamento do segundo.
  • Em qualquer estratégia, os riscos e cuidados de cada olho precisam ser discutidos antes.

8. Quando posso voltar a dirigir?

Voltar a dirigir depende de como você está enxergando e da segurança para reagir no trânsito. Não use apenas o número de dias desde a cirurgia. Confirme a liberação na avaliação pós-operatória e siga a orientação recebida para o seu caso.

9. Existe idade certa para fazer a cirurgia?

Não existe uma idade única. A indicação considera o tipo de catarata, o impacto visual, a saúde do olho, as condições clínicas e os riscos e benefícios para aquela pessoa.

Catarata congênita e catarata relacionada à idade têm contextos diferentes. Em crianças, a avaliação deve ser precoce; em pessoas idosas, a decisão também é individual e não depende apenas da idade cronológica.

10. Qual é a taxa de sucesso da cirurgia?

Não existe uma taxa individual que possa ser prometida antes do exame. O resultado depende da catarata, da retina, do nervo óptico, da córnea, do cálculo da lente e de eventuais intercorrências.

A avaliação pré-operatória ajuda a estimar benefícios e limitações, mas nenhuma cirurgia oferece garantia de resultado. A expectativa deve ser discutida de forma individualizada.

11. O plano de saúde cobre a cirurgia?

Segundo a ANS, a facectomia com lente intraocular, com ou sem facoemulsificação, tem cobertura obrigatória quando solicitada pelo médico assistente nos planos regulamentados ou adaptados com segmentação compatível. Em planos antigos não adaptados, é preciso conferir o contrato.

O Parecer Técnico nº 18/2024 da ANS informa que a cobertura não se limita a uma categoria comercial de lente. A lente deve estar regularizada na Anvisa, ter indicação prevista em bula ou manual e ser clinicamente justificada. Tratamentos estritamente refrativos não têm cobertura obrigatória pelo Rol. A análise concreta depende do contrato, do pedido médico e da autorização do plano.

12. Como me preparar para a cirurgia?

  • Fazer os exames solicitados para o planejamento da cirurgia.
  • Informar todos os medicamentos e não suspender nenhum por conta própria.
  • Seguir o jejum e as orientações de higiene definidos pela equipe.
  • Confirmar antecipadamente se será necessário acompanhante.
  • Levar dúvidas, documentos e exames indicados pelo serviço.
  • Seguir as instruções de colírios pré-operatórios, quando forem prescritos.

13. Quais são os riscos e complicações possíveis?

Nenhuma cirurgia é isenta de risco. A frequência e a relevância de cada complicação dependem do olho e das condições clínicas. Entre os eventos possíveis estão:

  • Opacidade da cápsula posterior: pode exigir avaliação e tratamento com laser.
  • Alteração da pressão do olho: pode exigir acompanhamento e tratamento.
  • Inflamação ou infecção: exigem orientação e, em alguns casos, tratamento urgente.
  • Edema da mácula, alteração da córnea, descolamento de retina ou problema com a lente: a conduta depende do diagnóstico.

O consentimento pré-operatório deve abordar os riscos relevantes para o caso. Dor forte ou em piora, vermelhidão crescente, secreção ou piora súbita da visão após a cirurgia pedem contato imediato com a equipe ou avaliação de urgência.

14. O que é facoemulsificação?

É uma técnica que fragmenta e aspira o cristalino opaco com ultrassom antes do implante da lente intraocular. O tamanho da incisão e a necessidade de sutura dependem do caso e da técnica utilizada.

A facoemulsificação é amplamente utilizada, mas técnica, duração e recuperação variam. A escolha deve considerar anatomia, densidade da catarata, equipamentos e avaliação do cirurgião.

15. Quando é a hora de operar? Preciso esperar a catarata "amadurecer"?

Não é necessário esperar uma catarata "amadurecer" para discutir cirurgia. Também não se opera automaticamente ao primeiro sinal: a decisão depende do impacto visual e da avaliação clínica.

A indicação considera dificuldade para dirigir, ler, trabalhar ou realizar atividades do dia a dia, além dos achados do exame. Cataratas densas podem aumentar a complexidade técnica, mas o momento da cirurgia é definido individualmente pelo balanço entre benefício esperado e riscos.

16. A cirurgia de catarata a laser é diferente da convencional?

Sim, com diferenças técnicas específicas. A cirurgia com laser de femtossegundo usa laser para fazer as etapas iniciais do procedimento — abrir a córnea, abrir a cápsula do cristalino e fragmentar parte dele — com precisão automatizada. A cirurgia convencional por facoemulsificação faz essas etapas manualmente, pelo cirurgião.

O laser modifica algumas etapas, mas não garante resultado visual superior. A indicação depende da anatomia do olho, do plano cirúrgico, da disponibilidade da tecnologia, dos custos e da experiência da equipe.

Se você lembrar de uma coisa só: não espere a catarata "amadurecer"

Entre as dezesseis perguntas, há uma crença antiga que ainda atrapalha muita gente: a de que sempre se deve esperar a catarata "amadurecer" para operar. Hoje, o momento é definido pelo impacto visual, pelo exame e pelo balanço entre benefícios e riscos. Cataratas densas podem aumentar a complexidade técnica, mas cada caso precisa ser avaliado.

Isso não significa correr para a cirurgia. Significa decidir com base na sua rotina, nos achados do exame e nas condições do olho — não apenas no aspecto ou na idade da catarata.

Quando um paciente chega com medo, quase sempre é porque ninguém ainda teve tempo de explicar tudo com calma. Das 16 perguntas deste artigo, a maior parte é respondida em 10 minutos de consulta. Se você leu até aqui, já chegou adiantado: a gente usa esses 10 minutos para as perguntas que são só suas. — Dr. Leonardo Eloy · Cirurgião de catarata, Rio de Janeiro

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